Líderes do Caribe pedem ação coletiva em apoio a Cuba diante da asfixia energética imposta pelos EUA

Caricom reforça solidariedade a Cuba e alerta que a asfixia energética afetará segurança e estabilidade na região


Brasil de Fato

Apesar das fortes ameaças de Washington, os líderes da Comunidade do Caribe (Caricom) fizeram nesta terça-feira (24) um apelo para “tomar ação coletiva” em apoio a Cuba, em meio à asfixia energética que sofre a ilha.

As declarações ocorrem no contexto da 50ª edição da conferência anual da Caricom, um bloco de integração regional formado por 15 países do Caribe insular, que acontece de 24 a 27 de fevereiro em Basseterre, capital de São Cristóvão e Nevis.

O encontro, que reúne os principais dirigentes do Caribe, ocorre em meio a fortes pressões e ameaças de Washington, que, ao longo do último ano, implementou uma política agressiva para que os pequenos Estados insulares rejeitem as missões médicas de Cuba e permitam a presença militar dos Estados Unidos na região caribenha.

Durante seu discurso de abertura na terça-feira (24), o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, que se despede da Presidência da Caricom, expressou preocupação com o risco de violação das fronteiras caribenhas.

“Cada membro da Caricom tem o direito de decidir a melhor forma de defender seu território e seu domínio marítimo”, afirmou.

Além disso, embora tenha se mostrado crítico em relação ao sistema político cubano, Holness destacou que a questão de Cuba deveria ser abordada “com clareza e coragem”, lembrando que médicos e educadores cubanos prestaram serviços em toda a região do Caribe.

“Devemos tratar da situação em Cuba com clareza e coragem. Cuba é nosso vizinho caribenho. Seus médicos e educadores serviram em toda a nossa região. Devemos ter claro que uma crise prolongada em Cuba afetará a migração, a segurança e a estabilidade econômica de toda a região caribenha”, disse.

Por sua vez, o primeiro-ministro de São Cristóvão e Nevis, Terrance Drew, que assume a Presidência da Caricom, fez um apelo para unir forças e “desenvolver os mecanismos necessários que ajudem o povo cubano neste momento particular”, afirmando que “quem desestabiliza Cuba, está desestabilizando toda a região”.

“Devo fazer uma revelação completa. Estudei em Cuba. Vivi em Cuba por sete anos. Tenho amigos lá. Tenho pessoas que são como família para mim. Eles se aproximam e me falam sobre suas dificuldades. A comida se tornou terrivelmente escassa para alguns. O acesso à água tem sido difícil. O lixo ocupa as ruas. Casas sem eletricidade. Só posso sentir a dor de quem me tratou tão bem quando eu era estudante. Posso sentir seus desafios e dificuldades. Não me envolvo na política deles, mas, como questão de humanidade, é um desafio — eu diria que quase impossível — não sentir a dor que me transmitem em mensagens e chamadas daqueles com quem vivi”, garantiu.

Viagem de Rubio à cúpula

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, deve viajar para São Cristóvão e Nevis nesta quarta-feira (25), com a intenção de realizar reuniões bilaterais com os diversos chefes de Estado, embora os detalhes desses encontros ainda não sejam conhecidos.

Sua presença será um fator de tensão importante. Ao longo do último ano, vários líderes caribenhos expressaram publicamente sua insatisfação diante das pressões políticas exercidas por Rubio na região.

O secretário de Estado dos EUA tem sido um dos principais arquitetos das políticas de asfixia energética que Washington implementou contra Cuba. Além disso, desde sua chegada ao Departamento de Estado, pressionou diretamente os governos da região para que encerrassem os acordos de colaboração por meio das missões médicas que Cuba mantém com vários países.

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